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Cada verso - que tem 14 sílabas - é composto de três quadrissílabos, sem elisões; e o poeta repete, nas rimas, quatro vezes, a palavra "esperança". Essas singularidades lembram, de fato, uma cantilena).

Cantilena

21 de junho de 2010

Olavo Bilac 

Quando as estrelas surgem na tarde, surge a esperança. 
Toda alma triste no seu desgosto sonha um Messias:
quem sabe? o acaso, na sorte esquiva, traz a mudança
e enche de mundos as existências que eram vazias!

Quando as estrelas brilham mais vivas, brilha a esperança.
Os olhos fulgem; loucas, ensaiam as asas frias:
tantos amores há pela terra, que a mão alcança!
E há tantos astros, com outras vidas, para outros dias!

Mas, de asas fracas, baixando os olhos, o sonho cansa; 
no céu e na alma, cerram-se as brumas, gelam as luzes:
quando as estrelas tremem de frio, treme a esperança. .

Tempo, o delírio da mocidade não reproduzes!
Dorme o passado: quantas saudades, e quantas cruzes!
Quando as estrelas morrem na aurora, morre a esperança.

 

 

As lágrimas que secamos | As alegrias que damos | Isto nunca é esquecido. | Todo amor, toda verdade | Ficará para eternidade. | Não passará, meu amigo!

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