Jornal Voz do Vale
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LITERATURA
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Dia Internacional da Mulher. Por quê?8 de março de 2010 por Alessandra Rosa Hoje, 08 de março, é a data atribuída, mundialmente, para se homenagear a mulher. A maioria sabe que essa data foi escolhido por seu significado histórico, pois é um marco na luta da mulher por seus direitos como cidadã. Em 1857, na cidade norte-americana de Nova Iorque, operárias de uma fábrica de tecidos entraram em greve para lutar por melhores condições de trabalho: redução da jornada (que beirava as 18 horas por dia), tratamento digno e respeitoso, igualdade de salários (pois recebiam 1/3 do salário dos homens nas mesmas funções) entre outras reivindicações. Em resposta, foram trancadas na fábrica e esta, incendiada. Cerca de 130 trabalhadoras morreram carbonizadas. (*) Mas mais que parabéns e flores, hoje é um dia simbólico e devemos utilizá-lo para parar e refletir: mas e hoje, como anda a nossa luta? É fato que, a cada ano que passa, conseguimos mais e melhores direitos. Podemos votar e ser candidatas (aliás, ocupamos muitos cargos públicos, embora bem menos do que os homens), ocupamos quase todas as áreas de trabalho, existem leis e delegacias específicas para nos proteger, e já quase não nos culpam por termos filhos e trabalhar. Ao mesmo tempo, não apenas no Brasil, mas no mundo afora, atrocidades são cometidas a todo instante: estupros, assassinatos (normalmente por parte do companheiro/marido/namorado/pai), extirpação do clitóris (com o intuito de tornar a mulher submissa, essa cirurgia é feita por muitos povos na África. Sem nenhuma higiene ou anestesia, muitas meninas morrem de infecção, gangrena ou hemorragia). Casamentos forçados, aborto para as gestações de meninas (na Índia, em muitas regiões ainda existe a prática do dote. A família que não pode pagar o dote para casar sua filha, provavelmente, terá que sustentá-la para sempre, pois não arrumará marido. Por isso, gestações de meninas são consideradas problema e, por isso, interrompidas). Aqui, por exemplo, famílias vendem suas filhas como escravas sexuais a particulares ou a bordéis. Muitas são levadas a Europa (principalmente Espanha) para prostituição. Muitas delas ainda, ingenuamente, vão acreditando que conseguirão um "marido rico" - símbolo do fim da miséria e da fome. A realidade, porém, se mostra rápido: ao chegar são levadas ao bordel onde tudo é explicado. Seus documentos são levados e, aquelas que tentam se recusar no início são espancadas (mas não no rosto). Muitas também são viciadas, contra a vontade, em drogas como heroína, para serem facilmente "domesticadas". É triste e assustador perceber que, ao mesmo tempo em que conseguimos tanto, notamos que ainda nos falta muito. E que tudo acontece lentamente. Exemplo dos "passos de tartaruga", li em uma revista (desculpem, não me lembro a fonte) que, na década de 70 (30 anos atrás), haviam bares em São Paulo que não permitiam a entrada de mulheres sem a presença de um homem, pois, afinal de contas, poderiam ser prostitutas! Estamos falando de São Paulo, metrópole nacional, centro cultura e financeiro do país! Enfim, minhas letras aqui, não visam a tristeza ou o derrotismo. Ao contrário, o mal que nos acomete em todo o mundo e de tantas formas, não deve nos paralisar, mas, ao contrário, nos dar mais garra para ir em frente, em busca do que é nosso por direito: a igualdade, a liberdade e o respeito. (*) A data foi escolhida para ser o Dia Internacional da Mulher num congresso na Dinamarca em 1910, mas só oficializada pela ONU em 1975.
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